Aposentadoria: por onde começar a alocar recursos entre 30 e 45 anos?

Pesquisa indica que até 2050 o número de aposentados deve dobrar, reforçando a importância dos jovens planejarem o seu futuro financeiro

Dados da Divisão de População da ONU indicam que até 2050, o número de idosos no Brasil deve atingir 66 milhões de pessoas, o dobro de 2023. Segundo estudo publicado publicado na revista Royal Society Open Science ainda neste século teremos pessoas vivendo até os 130 anos. Já, segundo dados da pesquisa “Raio x do investidor” da Anbima, realizada em 2022, no Brasil, apenas uma parcela reduzida da população se envolve em investimentos. Contudo, entre aqueles que já investem, a idade média é de 40 anos, sugerindo que, na faixa etária dos 30 aos 45 anos, os brasileiros já estão atentos aos investimentos e ao seu planejamento financeiro futuro.

Segundo o sócio, assessor de investimentos e especialista da área de planejamento patrimonial da Valore Elbrus, Andrews Pereira, apesar de estarmos vendo um aumento no número de pessoas que investem, o que ainda está em falta nessa etapa é o planejamento. “Muitos investidores entre 30 e 45 anos estão tentando estabelecer uma rotina de investimentos, porém, ainda não se comprometeram em garantir se o montante investido será adequado para alcançar seus objetivos de curto e médio prazo, bem como para a aposentadoria. São muitos concorrentes para o nosso dinheiro no dia a dia: além do que é essencial para a sobrevivência, são viagens, presentes, carro, casa, escola dos filhos, vida social, etc. Com tantas coisas onde gastar, normalmente o importante acaba sendo atender os desejos e necessidades presentes e o futuro fica em segundo plano – e nem falo apenas do longo prazo, mas dos próximos seis meses, vide a quantidade de inadimplentes no nosso país. No entanto, evitar essa falta de comprometimento e negligência com a saúde financeira familiar ou individual que atenda as necessidades do presente e do futuro, é uma das principais armadilhas que um investidor deve evitar”, explica.

Pereira alerta que adiar o planejamento da aposentadoria é um erro comum. “Muitas pessoas acreditam que não precisam economizar tanto, pois pretendem trabalhar até o fim da vida, confiam no INSS, na herança dos pais ou em investimentos milagrosos”, destaca. “Tanto investidores iniciantes quanto experientes caem em armadilhas, como investir em previdências ou outros produtos com baixo retorno, desalinhados com seus objetivos e prazos. Outro erro frequente é não calcular se o montante acumulado será suficiente para manter o padrão de vida desejado na aposentadoria. Muitos definem metas de acumulação, como atingir o primeiro milhão, sem considerar se esse valor será adequado para suas necessidades futuras, levando em conta a expectativa de rentabilidade, inflação e impostos. Guardar mensalmente deve ser um resultado calculado a partir dessa necessidade futura. Algumas estratégias podem funcionar com sorte, mas muitas se transformam em armadilhas, especialmente se a saúde permitir uma vida longa. Além disso, com aportes regulares, é possível dobrar o patrimônio a cada cinco anos. Portanto, começar cinco anos mais tarde pode resultar em uma aposentadoria com metade do valor que se obteria iniciado cinco anos antes”, explica.

Como planejar a sua aposentadoria

No planejamento da aposentadoria, considere o tempo de contribuição. Jovens de 30 anos, por exemplo, podem assumir mais riscos com ações, fundos imobiliários e criptomoedas, ou optar por investimentos conservadores de longo prazo para obter taxas melhores.

Antes de investir, avalie o custo de vida atual, despesas fixas, proteção de renda e patrimônio, e o padrão de vida desejado na aposentadoria. Lembre-se de que os gastos podem aumentar com o tempo. “A administração dos recursos deve ser vista como um fluxo de caixa da vida. Parte do que ganhamos hoje precisa ser investida para o futuro, reduzindo gastos atuais para garantir recursos no futuro,” afirma Pereira.

É importante equilibrar as prioridades atuais com as futuras. Elaborar um orçamento atual ajuda a direcionar recursos eficientemente. Destinar ao menos 10% da renda para a aposentadoria é ideal, mas a análise deve ser individualizada, considerando o prazo de planejamento, padrão de vida desejado e tempo de sobrevivência.

Para quem tem cerca de 45 anos, Pereira recomenda segurança e boa liquidez nos investimentos, embora, dependendo do patrimônio acumulado, seja necessário assumir mais riscos. “Com 45 anos, as pessoas podem estar na metade de suas vidas, permitindo estratégias mais arrojadas. Investir globalmente pode oferecer vantagens competitivas,” conclui Pereira.

Investimentos ideias para uma aposentadoria tranquila

Pereira destaca que não existe um único “melhor” investimento para todos, pois cada pessoa tem necessidades e objetivos diferentes. A melhor estratégia é diversificar a carteira, combinando diferentes investimentos conforme o perfil de risco e objetivos.

O assessor lembra que, além dos investimentos financeiros, imóveis e empresas também são importantes geradores de receita. No entanto, gerenciar patrimônio imobilizado e financeiro é complexo, exigindo muito estudo e dedicação.

“Um investidor não deve ter que trabalhar na aposentadoria para controlar seus investimentos. É essencial ter um profissional de confiança no mercado financeiro para ajudar nas decisões e garantir tranquilidade. No Brasil, ainda há resistência em delegar o cuidado do dinheiro, mas em países desenvolvidos isso é comum. É importante que o profissional auxilie de maneira independente, sem tomar decisões pelo investidor,” conclui Pereira.

Abaixo o especialista aponta algumas opções disponíveis no mercado financeiro de investimentos para uma aposentadoria tranquila:

1- Tesouro Direto: permite a compra de títulos públicos de baixo risco, como Tesouro Selic, IPCA+ e Prefixado. O Tesouro RendA+ é uma opção recente que converte o investimento em uma renda mensal corrigida pela inflação por 20 anos;

2- Fundos de Investimento: – Renda Fixa: Investem em títulos públicos, CDBs e debêntures, com rentabilidade variável. – Imobiliários (FIIs): Investem em imóveis e distribuem rendimentos de alugueis ou vendas. – Multimercado: Diversificam em renda fixa, ações, câmbio e commodities.

3- Ações: Para perfis arrojados, ações oferecem dividendos periódicos como renda passiva.

4- Letras de Crédito: LCI e LCA financiam os setores imobiliário e agrícola, com isenção de IR e proteção pelo FGC.

5- Previdência Privada: Oferece PGBL e VGBL, com dedução fiscal e rentabilidade dependente dos ativos investidos.

6- CDB: Títulos de renda fixa emitidos por bancos, considerados seguros pelo FGC, com administração fácil via plataformas bancárias.

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